O Corpo Perturbador Este projeto uma investigação sobre processos colaborativos em dança contemporânea – utilizando recursos de vídeo e novas tecnologias -, que em sua concepção será dividido em 3 partes: O BICHO, O SANTO E O AMIGO. Com a participação de inúmeros profissionais com relevantes trabalhos em diversas áreas da arte contemporânea, este projeto configura-se num coletivo em suas múltiplas expressividades, tecido pelo entrelaçamento dos parceiros, cúmplices implicados nas redes criadas na e pela obra.

O trabalho traz uma abordagem diferenciada sobre o corpo que é considerado incapaz, não-belo, perturbador: o corpo com deficiência, fora dos padrões do pensamento hegemônico. Numa sociedade imensamente erotizada, acredita-se ser pertinente instigar uma outra reflexão sobre o assunto, abordando, a partir dos devotees, a sexualidade neste corpo, assim como as relações de poder intrínsecas nas relações afetivas, sociais, políticas, culturais e religiosas que envolvem as pessoas com deficiência.

Devotee é uma categoria de pessoas que têm fetiche pela deficiência. O que lhes atrai é a deformidade, é a especificidade de cada deficiência. Neste trabalho pretende-se, ainda, questionar e problematizar o desejo num mundo onde a existência de um padrão é cada vez mais valorizada, mas que ainda existem pessoas que andam na contramão.

Entendemos o corpo como estrutura e significados que surgem a partir das imagens construídas por/com ele. O corpo aqui reduzido e representado pela coluna e sua escoliose, pelos inúmeros ajustes que o corpo faz para se equilibrar, fazendo-se, então, um paralelo e uma analogia entre os ajustes sociais e os ajustes físicos. A partir da sinuosidade das linhas deseja-se criar imagens significativas. As linhas sinuosas revelam sensualidade e provocam desejos. Minha coluna tem uma linha muito forte que não é a ereta.

A coreografia será dividia em três partes, de no máximo 10 minutos, sendo que cada uma será concebida separadamente por um profissional convidado: Wagner Schwartz, David Iannitelli e Zmário, todos com formação e vasta experiência na área de dança e performance. Numa etapa posterior, o tecido conectivo das partes distintas do espetáculo - o lugar das interfaces e do favorecimento das emergências -, será construído com a assistência da coreógrafa Fafá Daltro.

Durante os meses reservados a criação de cada cena, dançarinos com deficiências, estagiários, farão parte da pesquisa estimulando diálogos e provocando o intérprete a encontrar outras fontes de referências corporais que possam enriquecer seu repertório de movimentos.

O projeto contará, em todas as suas etapas, com a participação de uma monitora, Diane Portella, que auxiliará o dançarino Edu O. e os estagiários nos exercícios da pesquisa, dando suporte necessário a sua elaboração.

A trilha sonora será criada pelo compositor Ricardo Bordini, especialmente para o espetáculo, em diálogo com os coreógrafos. Os vídeos serão registrados e editados pelo videomaker Victor Venas e o cenário criado por Igor Souza.

Como parte do trabalho desenvolvido serão realizados fóruns de discussão com profissionais especializados – sexólogos, fisioterapeutas e psicólogos – que terão como objetivo precípuo a elucidação das questões abordadas no trabalho, principalmente àquelas relativas ao “devoteísmo”, fenômeno ainda muito pouco estudado no cenário nacional.

Além de presencial, este processo de pesquisa se dará através de comunicação virtual entre a equipe envolvida, num processo colaborativo à distância via WEB, com vídeos postados na rede no blog criado especialmente para o projeto, convidando e permitindo o público internauta a interferir no processo criativo.

O coreógrafo idealizará a coreografia e enviará através de textos, desenhos, fotografias ou vídeos para que o coreógrafo/dançarino, por sua vez encontre maneiras de interpretar as consignas do criador, interferindo e fazendo uma leitura pessoal, para depois responder ao parceiro com outros vídeos que serão disponibilizados via WEB.

A escolha pela virtualidade durante o processo criativo se dá em analogia às relações entre os devotees e as pessoas com deficiência que ocorrem sempre no ambiente virtual, acontecendo poucas vezes a nível real.

- Edu O. Dançarino/Arteterapeuta meu blog: http://monologosnamadrugada.blogspot.com/ meu myspace: http://www.myspace.com/monologonamadrugada